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Pelo fim da moda de padrões

Há alguns dias Thais Carla, a bailarina plus da Anitta, publicou foto de biquíni fio dental para a marca Cor de Jambo e pronto: reboliço criado!

Thais, a cara da riqueza plus, dona de força e coragem invejáveis, resolveu dar um tapa na cara da sociedade, que sem mais nem menos, impõe padrões para tudo. Principalmente para a beleza feminina. E nós, pobres mortais, caímos como patinhos nessa armadilha.

A bailarina foi vítima de inúmeros comentários no mínimo preconceituosos, inclusive de pessoas plus size que, simplesmente, acreditam que Thais não pode vestir fio dental na praia.

Bom, pelo que vi, ela estava na praia e não vejo vestimenta mais adequada que roupa de banho para isso. E por que não vestir o tal fio dental plus, que na minha opinião significou desde o último verão o melhor avanço da nossa moda, graças à Cor de Jambo?!

 

Um tanto quanto contraditório, Thais vem na contramão das regras de exposição do mercado plus. Sim, falei corretamente. Se você acredita que o mundo plus é um mundo rosa de gordas boazinhas, está muito enganada.

Estamos em um meio ditado por moda,  formado por pessoas com características  que ainda se assemelham muito à moda padrão.  Existe por trás de tudo um  mercado. Sim, money amiga! Não se esqueça que o danado do mercado fará de tudo para impor suas regras através dos padrões para que gere cada dia mais lucro! No fundo, somos apenas seus fantoches.

Você já reparou que a onda plus está rodando o mundo? Isso é extremamente benéfico. Mas já reparou as modelos que fazem as fotos para as marcas? Repare bem, as lindas representantes majoritariamente não vestem mais que 48.

Por outro lado,  a maioria das mulheres está acima desse manequim. Ou seja, ainda está fora da abordagem do mercado. Triste, não?!

Não tenho nada contra as modelos que vestem até 48, mesmo porque visto 46. Porém, parece que nos esquecemos que teoricamente, acima do 44, estamos todas no mesmo barco, ou seja, somos todas gordas e é esse  um dos adjetivos que nos define fisicamente.

Já ouvi dizer que gorda não gosta de ver gorda. É por isso que as marcas insistem em fotografar as modelos com manequins até 48. Talvez o tal mercado tenha nos enganado direitinho, né? Talvez ele tenha nos adestrado e estejamos viciadas em enxergar beleza somente nesse padrão.  Então, que tal abrirmos nosso olhar para isso, já que nosso foco é a inclusão e exigirmos das marcas que forneçam numeração  capaz de vestir grande parte da população plus?

As marcas Oh Querida e F.A.T (For all Types), por exemplo, têm feito várias postagens com modelos que vestem acima dessa numeração “padrão plus“.  Por isso merecem nossos aplausos. Mas saiba que elas são minoria!

 

 

Talvez você me julgue por vestir 46 e, teoricamente, não sofrer o preconceito que muitas mulheres sofrem.  Porém, eu sempre me apegarei ao exemplo do nosso blog. A Jamille Chamon, que é magra, veste 38 e é grande defensora da nossa causa. Ou seja, você não precisa sofrer o preconceito para lutar pela causa.

Hoje, te convido a enviar uma mensagem para sua marca preferida e perguntar quando ela providenciará a modelagem  adequada para nossas amigas e quando inclusive terá manequins acima do 50.

Lembremos sempre que empoderamento é  causa que se luta em conjunto.

Beijos esperançosos.

 

Carol Cyrne