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Somos todos fora do padrão!

 

Estava eu na semana passada, dando uma lida nos jornais, e me deparei com o caso da pernambucana Daniela Martins de 21 anos, estudante de ciências biológicas, plus size, que postou sua foto de biquíni nas redes sociais e acabou inclusive recebendo ameaças de internautas.

daniela-martins

Fonte: Foto copiada do jornal O Globo.

Bom, para quem não sabe, tenho um espírito um tanto quanto investigativo e lá fui eu ver o perfil da Daniela. Gente, que tristeza! Vocês não imaginam o tipo de comentário que essa menina está recebendo.

Há quem pense que a palavra gorda é insulto, mas não é, como bem explicado por Paula Bastos. Havia milhares de comentários chamando-a de gorda, pensando que aquilo era ofensa, mas havia também milhares de comentários de cunho racista, já que Dani é negra. Juro, que quando li os comentários, tive meu dia acabado, não conseguia pensar em outra coisa.

 

pode-me-chamar-de-gorda

Fonte: Blog Grandes Mulheres da Paula Bastos

Fiquei refletindo sobre o assunto e concluí que a felicidade alheia incomoda, e como pessoas felizes e fora do padrão incomodam mais!Decidi então pensar quem são as pessoas fora do padrão, e explicar nesse post de hoje.

Para a mídia, mulheres que estão no padrão de beleza possuem pelo 95% das características baixo:

 

  • pele clara;
  • Entre 18 e 35 anos;
  • possuem cabelos lisos ou possuem cachos bem definidos, mas nunca crespos;
  • se solteiras, que seja por pouco tempo, pois casar é imprescindível;
  • se casadas, que tenham filhos e que ja estejam magras depois do parto;
  • ricas com renda própria ou advinda do companheiro;
  • magras, não precisava nem falar isso;
  • que malhem 5 vezes por semana;
  • comam comida fit;
  • não bebam, se beberem que seja champagne;
  • que estejam sorrindo sempre;
  • que tenha um cachorro ou um gato;
  • que tenha instagram, snap, face e poste fotos todos os dia de tudo o que fazem;
  • que sejam discretas
  • heterossexuais;

Se você é homem você basicamente tem ter:

  • pele clara;
  • Entre 18 e 35 anos;
  • cabelos, nunca careca
  • solteiro ou casado, pouco importa;
  • se casado, que tenham filhos
  • rico com renda própria;
  • frequente as melhores baladas do mundo;
  • tenha ótimos carros;
  • fortes marombado;
  • que malhe 5 vezes por semana;
  • coma comida fit;
  • beba, cerveja de preferência
  • ame futebol;
  • que tenha instagram, snap, face e poste fotos todos os dia de tudo o que fazem;
  • heterossexual;

Notem que não dá para ser ou nas listas acima, e sim e  pois as características são cumulativas. Agora, reflita comigo: Quantas pessoas você conhece assim? Minha conclusão é: Somos praticamente todos fora do padrão!

Voltando aos comentários que li sobre Dani, acho que à essa altura do campeonato já me sinto amiga íntima dela, percebi que os comentários vinham de pessoas também fora do padrão. Eram negros, gordos, pobres, etc, etc, pessoas normais como eu e você.

Vi comentários do tipo: “Para que ela tem que se expor?” E pensei, que ela tem que fazer isso, para que pessoas como você aceitem que existem “padrões” diferentes de beleza. Eu admiro demais as mulheres que se impõem e fazem com que a sociedade as aceitem como são. Elas abrem o caminho para aquelas que ainda não deram a cara para bater, e ficam em casa, escondendo o corpo porque vestem 48.

Sou fã de Renata Poskus por exemplo, que esbanja sensualidade na internet. Já deve ter ouvido muitos insultos, mas consigo imaginar a cara da Re dando a resposta que esses haters merecem.

renata-poskus-sensual

Fonte: Instagram @renataposkus

Penso qual seria a razão tanto apedrejamento na internet? Talvez a melhor resposta seja que as pessoas que se expõem estão fazendo aquilo que os apedrejadores queriam fazer e não o fazem por medo do julgamento alheio, então oprimir, julgar e menosprezar  tornam-se as melhores maneiras de abafar o que lhes incomoda.

Por isso é que precisamos todos os dias de mais e mais Danis e Renatas, que se exponham, que mostrem para o mundo que ninguém é perfeito, que praticamente ninguém é padrão, que somos todos humanos e a unica coisa que buscamos é a felicidade, e para isso, não precisamos do julgamento alheio.

Beijos esperançosos

 

Carol Cyrne